A CIBERCIDADÃOS – Acção Colectiva para a Cidadania Digital defende o reforço do financiamento para iniciativas de literacia digital em Moçambique, considerando que os recursos disponíveis permanecem aquém das necessidades de preparação dos cidadãos para uma utilização responsável e segura das tecnologias e dos serviços digitais.
O posicionamento foi manifestado nesta quinta-feira, 8 de Outubro de 2026, em Maputo, pelo Director Executivo da organização, Ernesto Saúl, durante o seminário de lançamento do Mês de Consciencialização sobre Segurança Cibernética, promovido pelo Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC, IP).
Na intervenção subordinada ao tema “Experiências da Sociedade Civil na Promoção da Literacia Digital em Moçambique”, Ernesto Saúl afirmou que o investimento na consciencialização dos cidadãos precisa de acompanhar a aceleração da transformação digital e a evolução dos riscos associados à utilização das tecnologias.
Para o Director Executivo da CIBERCIDADÃOS, a dimensão das necessidades de intervenção exige financiamento adequado e continuado. Considerou que o investimento actual ainda limita a capacidade de alcançar os cidadãos e apoiar a adopção de práticas de segurança digital.

Por sua vez, o Ministro dos Transportes e Transformação Digital, Américo Muchanga, defendeu o fortalecimento do trabalho coordenado e colaborativo para ampliar o impacto das intervenções, num contexto de necessidades crescentes e escassez de recursos. Apelou ainda à atenção das instituições às novas manifestações da cibercriminalidade e à adopção de mecanismos adequados de prevenção e denúncia.
O ministro referiu que as leis de Segurança Cibernética e de Crimes Cibernéticos, recentemente aprovadas pelo Parlamento, representam um passo importante no combate à cibercriminalidade em Moçambique.
O Presidente do Conselho de Administração do INTIC, Lourino Chemane, destacou a importância do comportamento responsável dos utilizadores na prevenção da desinformação, da violência e das fraudes financeiras por meios electrónicos. Sublinhou que a eficácia dos instrumentos legais depende também de cidadãos informados e conscientes sobre a utilização das tecnologias digitais.
Sob o lema “Construir um ciberespaço seguro e resiliente para promover a cidadania digital em Moçambique”, o seminário reuniu 25 participantes, entre representantes de instituições governamentais, especialistas em informática, membros da academia e organizações da sociedade civil.



